sábado, 27 de fevereiro de 2010

Encanto de verdade

Satisfazer a necessidade dos clientes. Esse é um mantra que qualquer pessoa tem gravado em sua mente. Durante boa parte do século XX, a satisfação dos clientes era a busca do cálice sagrado de qualquer empresa – e ainda não deixou de ser. O que nos demos conta de lá pra cá é que algumas organizações são melhores que as outras nesse quesito, e acabam indo além: não apenas satisfazem os seus clientes, mas os surpreendem, encantam e superam todas as suas primordiais expectativas.
Passamos a observar e a estudar os casos dessas organizações ímpares. Disney, Apple, Starbucks… Quase sempre companhias norte-americanas. Mesmo que você nunca tenha tido contato real com alguma dessas empresas, certamente já viu algum livro ou matéria de revista sobre elas.
Aqui no Brasil temos um caso extremamente particular, que poderia servir de exemplo para o resto do mundo. O Hospital Sírio-Libanês, de São Paulo, além da execução perfeita de sua atividade-fim (cuidar da saúde de seus pacientes), consegue surpreender e encantar todas as pessoas que têm algum contato com a organização.
Recentemente, por motivos de problemas de saúde na família (e também por isso andei afastado do blog), passei alguns dias no Sírio-Libanês. Pude observar como todas as pessoas são extremamente atenciosas em todos os níveis hierárquicos do hospital – dos atendentes da recepção, passando pelo pessoal da limpeza, ascensoristas, enfermeiros, médicos… Cada contato que você tem com uma dessas pessoas surpreende pelo excesso de atenção e cordialidade. Talvez amabilidade fosse o termo mais correto para descrever a sensação dessa experiência. A impressão que se tem é que cada integrante do staff é realmente sensível às preocupações do paciente e de seus familiares.
O Hospital Sírio-Libanês nos traz uma grande lição: para surpreender alguém realmente, não é necessário soltar fogos de artifício, nem oferecer os melhores grãos de café e tampouco a última novidade em tecnologia. Logicamente, isso tudo ajuda. Mas, no fim das contas, o que nos encanta de verdade são os pequenos detalhes, aqueles pequenos gestos que revelam que somos muito mais que um número, muito mais que um target…

Por Arnaldo Jabor


Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim. Sou uma besta, todos o sabem; mas não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro..." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre. Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro. Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas. O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas. O homem, por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um ¿ponto g¿ da alma. Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada. Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem... Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado. A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim... Como no homossexualismo: a lésbica não é veado. A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que mulher seja do bem e o homem, do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo ¿me come todinha¿. Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um living bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí, dança... A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice. Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante, e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo-travesti. O mundo hoje é travesti.




"O importante não é inventar. É ser inventado, a cada dia, e nunca estar pronta nossa edição melhorada"... CDA O humano, em nós, é diverso. Somos capazes de supremas violências e, no entanto, somos todo fragilidades. Incertos do nosso poder, de nossa capacidade de sobreviver, do que podemos tecer com as próprias mãos. E ficamos, sempre, dependentes do referencial externo, do outro que nos alimente e diga que somos sim, aceitáveis. Estranho isto, porque temos um vasto poder dentro de nós. Podemos criar as mais loucas, intensas e plenas histórias de amor. Porque somos capazes de vencer tudo por um grande sentimento. Sabemos que podemos. E , no entanto, nos deixamos desmontar como incapazes, à primeira ameaça de partida, como se fosse o outro e não nós próprios que tivessémos criado a imensidão do que sentimos, para doar àquele outro que achamos que merece toda imensidão do que criamos para doar. E nos desfazemos em medos, incertezas, fragilidades, como se a vida fosse breve e fossémos apenas um hiato. Claro que, quanto maior o ato de ambição que sonhamos, maior a dor da perda, o desfazer dos projetos inconclusos e, por vezes, o temor do reinicio, da tola ilusão, própria do amor , de que ninguém representará a mesma imensidão, do que o que foi perdido. Temor, talvez, que deva ser não da existência de alguém, mas da capacidade própria de conseguir se doar outra vez, sem defesas, em tal escala; de certas emoções inaugurais, todas entregues a alguém e que não poderão ser repetidas; do mimetismo ( muito na mulher) que fazemos do amado (a), assumindo cada vez mais, em si mesmo, o "ser" do outro e que, em determinado momento, faz parecer que não existe mais a separação dos corpos e alma. E, no entanto, apesar de sabermos que todo dia nos inauguramos únicos, esquecemos que somos capazes de nos dar para amanhã a nossa maior " edição melhorada".




aqui é diferente?!? "meio rude, aquele que sabe tratar a mulher sem muitos mimos, que gosta de malhar. é bom parecer meio cafajeste, fazer um teatrinho. não suporto os muito sensíveis, que choram e querem agradar o tempo todo", diz diz samantha miranda, 23 anos. os "bonzinhos" estão totalmente descartados. é o que revela duas pesquisas feitas nos estados unidos - uma da universidade do novo méxico e outra da universidade bradley - e publicadas na revista new scientist em junho concluem: homens que adotam comportamento de "garoto mau" se dão melhor com as mulheres. na universidade do novo méxico, o pesquisador peter jonason ouviu 200 estudantes e o resultado é que os jovens com características de bad boys relataram maior número de relacionamentos de curto prazo. as marcas do estilo são insensibilidade, narcisismo, egocentrismo, atração por situações de risco e infidelidade. o outro trabalho, feito pelo cientista david schmitt, da universidade bradley, em Illinois, é mais amplo. ouviu 35 mil pessoas de ambos os sexos em 57 países - e teve resultado semelhante. no brasil, há controvérsias. num grupo de 22 mulheres entrevistadas por uma revista semanal, apenas sete concordaram com os resultados da pesquisa. "aqui é diferente", opina a advogada mineira mariana lima, 31 anos. "busco uma relação em que haja igualdade entre os parceiros e muito carinho. adoro homens cavalheiros." a estudante de geologia carla neto, 29 anos, acredita que as mulheres gostam, sim, de homem que tenha um jeito grosseirão. "acontece que poucas vão admitir isso", alerta ela. "os homens têm de ter pegada, sim", resume natália casassola, ex-big brother. para a psicóloga e educadora sexual laura muller, é difícil comparar o comportamento das mulheres americanas e brasileiras, mas ela confirma que algumas realmente sentem esse tipo de atração. a fama de "bom de cama" pode ser a justificativa, acredita laura. "como esse homem tem mais relações, acaba, supostamente, aprendendo a lidar com as mulheres", explica. a psicóloga não vê grandes problemas nessa preferência. "só chamo atenção para uma coisa: relação na qual há dominante e dominado não é legal", avisa. "mas se tudo for uma brincadeira prazerosa para os dois, não vejo mal." fonte: revista ISTOÉ

RAPAZ DO XEROX


Memorando do Gerente de Relações Humana para as secretárias de uma grande empresa: 'Recomendamos a todas as mulheres da empresa, que ao solicitar xerox através de bilhetes, o façam com propriedade e com frases completas. A grande maioria dos bilhetes recebidos têm causado alguns problemas aos nossos colegas de trabalho, colocando em risco, inclusive, a paz nos seus lares, quando por acaso esquecem os bilhetes nos bolsos de suas roupas.
Como exemplo, abaixo transcrevemos algumas dessas solicitações de cópias.'
'Márcio, seja bonzinho ...Faça igual a última vez ... Please!'
'Joãozinho.... Quero quatro rapidinhas!'
'Zeca, hoje eu tenho que ser a primeira porque estou mais necessitada!'
'Márcio, quero dos dois lados e presta atenção: atrás tem que caber tudo!'
'Toninho, por favor... Coloca na frente pra mim, vai ...'
'Joãozinho, presta atenção, estou muito angustiada ...Estou atrasada!'
'Toninho, tira o mais rápido possível, porque o gerente também vai querer...'
'José, por favor, devagar, com carinho, porque quero bem feito.'
'Zeca, cuidado! É comprido e largo.... Posicione direito para que não fique nada de fora.'
'Carlos, será que dá pra entrar no meio sem que ninguém perceba e tirar uma rapidinha?'

Isso aconteceu com meu grande amigo DEP: Ruy Smith Amapá


O ateu e a torrada Era uma manhã rotineira na vida de José Mário. Matemático, professor de faculdade e ateu convicto até o apocalipse, comia religiosamente 2 torradas com manteiga e geléia de cupuaçu. (Deus me livre se não houvesse geléia de cupuaçu!) Era uma equação simples. Duas passadas de faca na manteiga sem sal e uma colherzinha de geléia aplicada com uma força X, suficiente para espalhar a geléia, mas não o suficiente para quebrar a torrada. José Mário necessitava segurar a torrada com uma força Y= -X, para balancear as forças evitando que a torrada caia no chão. Caso Y>-X, inevitavelmente a torrada cairá com sua face geleística voltada para baixo, exatamente como ocorreu nessa manhã aparentemente rotineira. A regra universal que dita a sujeira no mundo desde a gênese diz que se um objeto cai e fica por menos de 5 segundo no chão, o objeto ainda estaria limpo e pronto para o consumo. José Mário, como exímio conhecedor de regras universais e há muito morando sozinho, recupera a torrada do chão e qual sua grande surpresa? Estava lá. Claramente. Milagrosamente nítida. A cara de Jesus Cristo estampada em sua bendita torrada.O que um ateu faz quando se depara com um milagre? A primeira reação de um ateu é a contestação. Como São Tomé, primeiramente desconfia. Não, nada a ver. É coisa da sua imaginação. É como olhar as nuvens e encontrar formas. Mas olhando melhor, a imagem era divinamente clara. Havia até um certo brilho santo ao redor da imagem. Fez-se a luz nas camadas de manteiga. Qual era a chance disso acontecer? Calcula as probabilidades. Menos de 1 bilhão para um de tal evento acontecer com tanta precisão. É, os números estavam contra ele. Justo os números que tanto confiava. Tenta repetir o experimento. 2 pacotes de torradas de imagens disformes. O máximo que conseguiu foi em uma torrada que se olhada de um ângulo específico, até poderia se assemelhar, vagamente, a um coelhinho caolho sem orelhas. Resolveu parar, pois não poderia faltar a geléia de amanhã, e Deus me livre se não há geléia de cupuaçu!Segunda reação de um ateu, a dúvida. E se fosse realmente um sinal divino? Todos esses anos comendo carne vermelha na sexta-feira santa? As vezes que cobiçou a mulher do próximo, as que via revistas de mulher pelada escondido no banheiro ou quando roubou figurinhas jogando bafo… Tudo isso seria uma passagem segura para o inferno? Seria um alerta para que ele começasse a frequentar a igreja? Terceira reação de um ateu, a revolta. José não se daria por vencido. Ele não jogaria a batina assim tão fácil. Não seria uma torrada a romper toda a sua (des)crença. Quer briga? Então olha o que eu faço com sua torrada! José aproxima a torrada à boca, lentamente abre sua bocarra e prepara uma grande mordida entre a coroa de espinho e a sobrancelha esquerda de Jesus.Quarta reação de um ateu, a redenção. Espera! Talvez seja melhor não comer a torrada. Afinal ela caiu no chão. Talvez tenha passado mais dos 5 segundos. Pode haver micróbios. Pode causar dor de barriga. Imagina se dá um piriri. E com piriri não se brinca! Pior que as pragas do Egito! Lavo minhas mãos. Melhor pegar outra torrada.Resolveu deixar a torrada milagrosa de lado. Mas a cara de Jesus continuava encarando-o. A pulga atrás da orelha ainda coçava. Há de haver uma explicação mais razoável que uma entidade toda poderosa sem ter mais o que fazer além de pregar peças em matemáticos ateus. Existe algum fator que passou despercebido. Algo que dê a luz sobre esse mistério. Olhe atentamente, analise friamente… Eureca! Como não havia visto isso antes! Era óbvio! A vida volta a fazer sentido. A figura na torrada não é o Jesus Cristo! É o deputado Ruy Smith! Claro, por que acreditar em um Ser Supremo invisível, inatingível? O Ruy Smith era real, estava ali, ao alcance de todos! É lógico! Quem mais sofreu tantas perseguições e foi crucificado pelo Pedro da Lua? Quem mais ressucitou a CPI da Pedofilia quando ninguém mais esperava?Satisfeito, José Mário guardou a torrada junto com os antigos santinhos do PSB e saiu cantarolando. Esse Ruy Smith é foda

Da série "meu dicionário" Para minha minha amiga 'Jamille' rsrs



Sexo: 1. marca de sapatinhos de lã azuis ou cor-de-rosa; 2. aquilo naquilo, naquela ou naqueloutro; 3. espécie de polvo que comumente habita lençóis ou tapetes e pode ter entre 8 e 960 tentáculos; 4. conglomerado intercontinental que fabrica “uis”, “ais”, “ohs” e afins em 1257 idiomas; 5. irmão siamês do tesão; 6. antônimo de cadáver (exceto para necrófilos); 7. momento que antecede sonhos em technicolor; 8. festa no céu; 9. o homicídio do hímem; 10. animalzinho que se alimenta de feromônios; 11. esconde-esconde em versão de adultos; 12. tranqüilizante natural à base de gemidos; 13. matéria-prima das sex-shops; 14. um dos apelidos do amor; 15. o pai de todas as guerras; 16. nômade que acampa em tendas iluminadas com neon, à beira da estrada; 17. motivo de dúvida e inquietação entre a classe angelical; 18. na geometria clássica, o encaixe perfeito entre côncavo e convexo; 19. na astrofísica, instante em que nascem os corpos celestes; 20. primeiro estágio da gravidez; 21. segundo Freud, o que leva o homem a chupar chupeta; 22. na economia moderna, bem complementar ao látex; 23. um dos motivos pelos quais elevadores ficam presos entre dois andares; 24. Gênese.

Para uma sexta-feira em meio a pássaros

Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros é importante, antes de levantar-se, descobrir os segredos da cama, como o cheiro de alguém que partiu, mas deixou a certeza da volta ou ainda a listrada alternância de calor e frio que existe no corpo do colchão. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros é preciso estar envolvido por um ar em cores, pintá-lo usando os tons serenos que saltam dos pensamentos menos despretensiosos - aqueles que nos tomam de assalto nas horas solitárias da paixão. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros, vista roupas com grandes decotes que permitam que o sol entre pelas suas frestas; e mesmo que o dia esteja nublado, olhares interessados esquentarão sua pele. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros é preciso não ligar para o trânsito caótico das cidades, pois ao menos uma vez na semana é prazeroso ridicularizá-lo de forma a comparar o vai-e-vem motorizado à exagerada concentração das formigas do quintal. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros é essencial observar os rostos anônimos das pessoas que caminham pelas ruas e, de acordo com a expressão de cada um, dar-lhes um nome de maneira a torná-los íntimos. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros, convide para almoçar alguém que você goste muito, transformando cada mastigada em uma deliciosa espera para opinar sobre aquele assunto que lhe agrada. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros, abra um livro em uma página qualquer e, depois de ler as três primeiras linhas, continue a história inventando personagens ou roubando alguns de outros livros que você também já leu. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros, observe que a rubra cor do entardecer nada mais é que as primeiras estrelas sangrando o dia com suas formas pontiagudas; mas não se preocupe, cometas virão com ataduras. Para se ter uma sexta-feira em meio a pássaros, beba um gole demorado de cachaça, deixando a bebida esquentar o peito, adoçar a boca e ferver a mente com idéias cambaleantes. Ou então, não espere chegar a sexta-feira. Aproveite e comece hoje. Porque o amanhã pode demorar pra chegar, porque o amanhã pode não chegar e se tornar ontem. Não deixe que as coisas fiquem apenas na memória, na sua, na dele ou na dela. E não se arrependa de fazer. Mas tenha bom senso. Mesmo que tenha acordado cedo, mesmo que recém tenha levantado ou mesmo que vá ficar sem fazer nada em casa. Mas faça. Mesmo que teu chefe te ligue no domingo a noite pedindo para que tu chegue mais cedo do que o normal. E, mesmo assim, com cara de sono, quando olhares pro espelho do banheiro enquanto escova os dentes lembre-se do que de bom te aconteceu no fim de semana. Na sexta-feira, no sábado e também no domingo. Porque coisas boas acontecem também num chato dia de domingo. Então olhe-se no espelho e dê um sorriso para você pensando no que de bom aconteceu. Porque em algum lugar, em algum espelho de banheiro alguém vai estar se olhando e lembrando de ti.

Da série "meu dicionário"

Felicidade: 1. invólucro onde se guardam sorrisos; 2. momento em que os ponteiros do relógio decidem dançar valsa; 3. líquido viscoso que escorrega por entre os dedos; 4. pedaço de gente com cheiro de talco; 5. movimento espontâneo dos cantos da boca em direção às orelhas; 6. sobrenome do azul; 7. olodum dentro do peito; 8. conjunto de círculos concêntricos em rubro e branco para onde se atiram dardos em forma de coração; 9. roçar de pés por sob o cobertor em noites com temperatura inferior a 18 graus; 10. tia-avó da alegria; 11. erva da qual se faz um chá afrodisíaco; 12. movimento elíptico do Sol em torno do ser amado; 13. nome dado à gota salgada que despenca dos olhos em dia de festa; 14. sensação de se ter feito o que se deveria ter feito; 15. oitava cor do arco-íris; 16. retângulo onde se inserem flagrantes registrados em nitrato de prata; 17. desejo súbito de voar; 18. distúrbio psicológico que causa avalanche de gargalhadas; 19. silêncio que se segue à trovoada; 20. exibição permanente da arcada dentária sem motivos justificados aos olhos dos desprovidos de inocência.

È mensalão para todo lado


Uma história sobre o boto do Amazonas

Sou louco, mas não sou burro.Os dois políticos tinham governado o Amazonas. Gilberto Mestrinho e Plinio Coelho chegaram a ser aliados, amigos, correligionários, mas acabaram inimigos. Os seguidores de cada um adotavam rigorosamente o comportamento do líder. Se Gilberto odiava Plínio e vice -versa, uns odiavam também os eleitores dos outros. E as historinhas que ridicularizavam um e outro surgiam e se multiplicavam. Uma delas é a que se segue.O governador - você pode escolher um dos dois - dirigia seu automóvel num inicio de noite muito escura e debixo de uma tempestade. A chuva batia forte quase impedindo a visão, e ainda assim ele seguia em frente porque tinha um compromisso inadiável, e antes de cumpri-lo tinha de passar em casa para trocar de rioupa.De repente o governador ouviu o estouro de um pneu e encostou o carro bem na frente de um hospital de doentes mentais. A chuva continuava caindo forte, mas o homem nem se preocupou com isso. Desceu. abriu a mala e tirou o estepe. Muito mais pelo tato que pela visão e já completamente molhado, conseguiu ajustar o macaco, folgou os quatro parafusos retirou-os e os colocou um pouco do lado. Depois de ter trocado os pneus, o governador procurou os parafusos apalpando o solo mais ou menos no lugar onde os havia colocado. Procurou durante algum tempo, e nada. Ligou as luzes do carro para tentar localizar os parafusos pelo reflexo...nada. Acabou descobrindo que a enxurrada havia carregado os parafusos, no mesmo momento em que percebeu um homem que, saído do hospital de doentes mentais, vestindo um camisão e todo molhado havia se aproximado e ficara ali, parado, observando os acontecimentos.As luzes do carro já permitiam ver alguma coisa. O governador ainda mais irritado não tinha a menor idéia do que poderia fazer. O homem perguntou o que ocorrera, e depois de ouvir o drama sugeriu: "se o senhor tirar um parafuso de cada roda, vai poder chegar em casa com apenas três parafusos em cada uma". O governador olhou espantado para o homem e perguntou: "como é que você teve essa idéia . Você não é louco"?"Sou sim. Sou louco mais não sou burro", respondeu tranqüilamente o louco caminhando em direção ao hospital.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Ja pensou a Jatobá(GLOBO) fazendo isso?


Aos berros e de maneira performática, o meteorologista americano afirma que a costa leste sofrerá com uma “paralisante e amedrontadora tempestade de neve”.



Entre um grito e outro, ele prevê “queda no fornecimento de energia, vôos cancelados e dezenas de milhares, ou milhões, de pessoas afetadas pela neve”.



Depois de anunciar uma previsão do tempo catastrófica, ele encerra sua participação com um aliviado “oh, boy!”.

Voçe sabe o que é ESCALPELAMENTO?

Escalpelamento é o arrancamento brusco e acidental do escalpo humano, de diversas formas, inclusive por motores dos barcos.
É um problema muito recorrente na Amazônia brasileira, despertando até a atuação do poder público e de ONGs, que estão com projetos para desenvolver uma proteção barata ou gratuita para os barcos a motor, a fim de evitar a repetição de acidentes desse tipo.
O acidente ocorre quando as vítimas, ao se aproximarem do motor por acaso, tem seus cabelos repentinamente puxados pelo eixo. A forte rotação ininterrupta do motor ao enrolar os cabelos em torno do eixo, arranca inexoravelmente todo ou parte do escalpo da vítima, inclusive orelhas, sobrancelhas e por vezes uma enorme parte da pele do rosto e pescoço, levando a deformações graves e até a morte.
No dia 14 de Janeiro de 2010, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a lei 12199/2010 que institui o dia 28 de agosto sendo o Dia Nacional de Combate e Prevenção ao Escalpelamento.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

40 E POUCOS ANOS ELE FARIA HOJE.


Hoje Kurt Cobain faria mais um aniversario se estivesse vivo.

Eu não poderia deixar de fazer essa homenagem, afinal de contas minha adolescência foi embalado ao som de nirvana, ate me atrevia tocar nivarna numa banda, numa época em que somente a rebeldia fazia sentido, bons tempos aqueles, de ir para a escola no centro da cidade de ônibus com um monte de estudante no fundão do ônibus fazendo barulho, fugindo da aula para as febres da época chamadas “lan House”. Usar uma camisa com o símbolo nirvana era o Maximo. Velhos tempos que não voltam mais. Se eu soubesse antes o que sei agora eu erraria tudo exatamente igual, vivendo um dia de cada vez.


NÃO QUE EU TENHA AS MESMAS IDEOLOGIAS, QUEM FUMAVA O BAGULHO ESTRAGADO ERA ELE, EU APENAS GOSTAVA DAS MUSICAS, NAO DAS IDEOLOGIAS.




" SÓ O SOCIALISMO SALVA E LIBERTA"

O que é DIREITO?


estou escrevendo uma espécie de “guia” para ajudar os estudantes de direito. Acho que vai se chamar “Direito: uma guia para juristas e curiosos“. O primeiro capítulo, como não poderia deixar de ser, é sobre a definição de direito e começa assim:
Vamos começar nosso estudo tentando descobrir o que é o direito. Afinal, o que você espera encontrar neste livro?
Para começar, peço que você faça um exercício mental para imaginar três julgamentos hipotéticos ocorridos em contextos muito diferentes entre si, mas que envolvem um crime nada divertido: o estupro.
O primeiro caso ocorreu no coração da selva amazônica. Um índio ianomâmi praticou um estupro contra a esposa de um membro de sua tribo e foi julgado e condenado pelos seus pares. A pena: banimento. A tribo concordou em banir aquele índio estuprador do convívio social e expulsou-o da comunidade. Até hoje o índio malfeitor vaga solitário pelas noites escuras da floresta selvagem…
O segundo caso se deu em uma favela dominada pelo crime organizado. Houve um estupro e os familiares da vítima procuraram o chefe do tráfico de drogas da comunidade, clamando por vingança. O chefe da organização criminosa montou uma espécie de tribunal paralelo com todos os princípios básicos de um julgamento oficial, ouviu a versão do acusado, ouviu a vítima e algumas testemunhas e concluiu que o estupro ocorrera de fato. De imediato, o criminoso chefe sentenciou o estuprador e o condenou à pena de morte, determinando ainda que a punição fosse executada com crueldade. Dez horas depois da condenação, o estuprador foi encontrado morto e carbonizado no meio de um campo de futebol que existia na favela.
O terceiro caso se passou na alta sociedade de uma grande cidade brasileira. Um famoso e influente empresário foi acusado de estupro após fazer sexo com uma criança de doze anos de idade. O Código Penal brasileiro considera que o estupro é presumido quando a vítima é menor de catorze anos. É o que diz o artigo 217-A do Código Penal: “Estupro de vulnerável: Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: Pena – reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos”. No julgamento, o Tribunal de Justiça, em polêmica decisão, inocentou o acusado por entender que a criança já não era mais virgem, ganhava a vida se prostituindo e havia concordado em manter relação sexual em troca de dinheiro. Assim, de acordo com os julgadores, apesar de ter ficado provado que o empresário, de fato, fizera sexo com uma criança de doze anos, não teria cometido nenhum crime e foi absolvido. (O exemplo é meramente hipotético, mas não está muito longe da realidade. Há muitos juristas que consideram que a experiência sexual anterior da menor é suficiente para descaracterizar o estupro presumido caso haja o consentimento da vítima. O entendimento, contudo, é minoritário).
Temos, nos exemplos acima, três situações hipotéticas que poderiam ter ocorrido de verdade. Quais dos julgamentos podem ser considerados como direito?
Abro os comentários para as respostas dos leitores. Sintam-se à vontade.

Justiça Gramatical: o velho problema da denúncia anônima


Reproduzo abaixo um texto muito bem escrito pelo matemático Cláudio Abramo, que é diretor executivo da Transparência Brasil. Referido texto foi publicado no jornal O Estado de São Paulo.
O texto trata da discussão sobre a possibilidade de se iniciar uma investigação com base em informações anônimas, ou seja, cuja autoria não foi identificada. Embora eu concorde, em geral, com a conclusão a que chegou o referido colunista, gostaria de fazer uma correção.
Na verdade, a Constituição não proíbe expressamente a chamada denúncia anônima. No fundo, nem mesmo trata disso. O artigo constitucional que geralmente é invocado para justificar essa interpretação é o artigo 5º, inc. IV, que estabelece que “é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato”.
A origem da referida norma constitucional não tem nada a ver com o processo penal, mas com a liberdade de expressão. O intuito da vedação do anonimato é possibilitar a responsabilidade civil daquele que manifesta pensamentos ofensivos. No mesmo sentido, o Pacto de San Jose da Costa Rica estabelece que “para a efetiva proteção da honra e da reputação, toda publicação ou empresa jornalística, cinematográfica, de rádio ou televisão, deve ter uma pessoa responsável, que não seja protegida por imunidades, nem goze de foro especial” (art. 14, item 3).
A transposição da vedação do anonimato para a esfera penal foi uma construção jurisprudencial, com base na idéia de que a denúncia anônima viola o princípio republicano de que todos devem ser responsáveis por seus atos e palavras, o que ficaria inviabilizado no caso de uma denúncia anônima. Mas o próprio STF não tem sido tão rigoroso quanto a essa proibição. Ele aceita a delação anônima quando há outros elementos de prova que justifiquem a investigação. Além disso, nos próprios termos adotados pelo STF, nada impede que o Poder Público, “provocado por delação anônima, adote medidas informais destinadas a apurar, previamente, em averiguação sumária, com prudência e discrição, a possível ocorrência de eventual situação de ilicitude penal, desde que o faça com o objetivo de conferir a verossimilhança dos fatos nela denunciados, em ordem a promover, então, em caso positivo, a formal instauração da persecutio criminis, mantendo-se, assim, completa desvinculação desse procedimento estatal em relação às peças apócrifas”.
Não conheço exatamente o caso objeto da crítica do colunista. Mas, em princípio, seria possível aceitar a delação anônima se ela apresentasse elementos que justificassem a investigação.
Aqui vai o artigo:
Justiça Gramatical
Imagine o eventual leitor que um agente da Polícia Federal de plantão em algum aeroporto brasileiro, num certo dia, receba um telefonema durante o qual alguém informe sobre a presença de um bombardeador suicida num avião que esteja prestes a decolar. Imagine ainda que, ao ser indagado sobre sua identidade, o denunciante decline de fornecê-la. Imagine também que, com base na informação recebida, o agente decida sustar a decolagem para averiguar a questão. Suponha, por fim, que a diligência resulte na confirmação da informação: o passageiro denunciado efetivamente veste um colete recheado com bananas de dinamite.
Pergunta-se: qual pode ser a consequência legal para o terrorista?
Resposta: nenhuma, ao menos segundo o entendimento do sr. Cesar Asfor Rocha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Conforme o ministro, denúncias anônimas não podem motivar iniciativas de agentes públicos. O certo seria o policial nada fazer a respeito. Pior, uma vez que teria cometido um ato ilegal, o agente poderia sofrer punição administrativa e mesmo ser processado. Quanto ao terrorista, seria libertado com desculpas. Poderia ainda processar o policial federal por danos morais.
Essa, sem tirar nem pôr, foi a decisão de Asfor Rocha ao conceder liminar a mandado de segurança impetrado por investigados na Operação Castelo de Areia contra a própria existência da ação penal contra eles. Para o ministro, parte dos indícios de práticas de corrupção de que são acusados executivos da empresa Camargo Corrêa e que informam o processo decorrente da Castelo de Areia seria inválida, porque a denúncia original foi anônima.
É claro que a responsabilidade dos executivos em questão teria de ser confirmada judicialmente antes de se poder afirmar que eles, de fato, cometeram crimes de corrupção.
No entanto, caso a liminar concedida por Asfor Rocha não seja derrubada no STJ e se recursos posteriormente apresentados ao Supremo Tribunal Federal forem rejeitados, não haverá decisão judicial alguma, porque não haverá processo.
O caso do ministro-presidente do STJ é exemplar de um particular tipo de disfuncionalidades da Justiça brasileira – a tendência manifestada por muitos magistrados de considerarem que a Justiça não passa de um jogo de formalidades sem relação com a vida. Para eles, a literalidade dos textos legais é muito mais importante do que a administração de justiça. Não atentam para o fato de que, se as situações concretas levadas aos tribunais devessem sempre ser decididas por aplicação mecânica de dispositivos legais, então, não existiria justificativa para a existência de juízes. Máquinas poderiam cumprir a tarefa, o que, aliás, fariam melhor do que seres humanos, pois a vantagem das máquinas é fazerem sempre tudo do mesmo jeito.
Justiça é outra coisa. As leis não são formuladas como exercícios sintáticos destinados a tertúlias entre operadores do Direito, mas para enfrentar situações concretas. Os códigos legais refletem, no limite, as expectativas de justiça emanadas da sociedade.
É claro que as leis mudam muito mais devagar do que as aspirações sociais. Isso não é mau, pois é necessário proteger o arcabouço jurídico de mudanças intempestivas, que no longo prazo se podem revelar contraproducentes. De toda maneira, um dos motivos pelos quais juízes existem é abreviar a distância entre as leis e as expectativas da sociedade.
É claríssimo que a formulação constitucional que proíbe a denunciação anônima (e, por consequência, também proíbe ao Estado ocultar a identidade de denunciantes) é demasiado abrangente e anacrônica. A base desse preceito são relações privadas: uma pessoa física não pode sofrer processo (por exemplo, por danos materiais) movido por alguém que permaneça não identificado.
Não é de modo algum o caso de processos movidos por agentes do Estado, como são os promotores públicos. Estes não agem anonimamente.
Observe-se que as convenções internacionais de combate à corrupção de que o Brasil é signatário explicitam a necessidade de se montarem mecanismos de recepção de denúncias sem exigência de identificação do denunciante. Isso é muito importante para se obterem informações, principalmente, de agentes do Estado e de funcionários de empresas envolvidas em corrupção (ou de seus concorrentes, claro), os quais de outra forma se sentiriam justificadamente vulneráveis. Sem esse tipo de proteção a investigação de possíveis atos de corrupção de alto coturno se torna quase impossível.
Vários órgãos brasileiros aceitam denúncias anônimas, como, por exemplo, a Controladoria-Geral da União (CGU). No sítio da CGU na internet podem-se denunciar suspeitas de corrupção sem necessidade de identificação. A CGU processa internamente essas denúncias e quando considera serem, em tese, plausíveis abre processos de investigação. Faz isso de ofício, quer dizer, o procedimento é desencadeado pelos agentes do próprio órgão.
O mesmo acontece com os serviços de Disque-Denúncia, que se espalham com grande sucesso por vários Estados do País e têm sido responsáveis pela redução de certos tipos de crimes, como sequestros.
Se dependesse de Asfor Rocha, tudo isso seria considerado ilegal.
No caso em questão, é evidente que o ministro poderia ter ponderado que tanto a Polícia Federal quanto o Ministério Público agem de ofício, e que, portanto, a denúncia contra os réus da Camargo Corrêa não foi anônima.
Ao não reconhecê-lo, o ministro-presidente do STJ emite o sinal claríssimo de que, se depender dele e daqueles que pensam como ele, no Brasil a investigação de corrupção deve ficar restrita a casos triviais.
Claudio Weber Abramo, bacharel em Matemática e mestre em Lógica e Filosofia da Ciência, é diretor executivo da Transparência Brasil, organização não-governamental dedicada ao combate à corrupção no País

Para Emmely Amaral

I know, nobody knowsWhere it comes and where it goesI know it's everybody's sinYou got to lose to know how to winDream On - Aerosmith

Quem conhece entende.


Carta de um profano a outro
Zé!,
Priciso ti contá esta história.
Tava eu numa noite dessas procurando uma loja de coisas da tua profissão prá comprá o seu presente de Natal, quando encontrei um predião que me apontaram, tudo aceso, cheio de gente. Eta turma boa.
Perguntei: "Aqui é loja de pedreiros?"- Invés de resposta, só foi abraço. Descobriram logo que sou mecânico, Zé, porque todo mundo me perguntava onde ficava a minha oficina.
Lojona bonita aquela, com quadros, tapetes, ventiladores, até livro de visitas tinha que assiná. Gozado, com aquele calorão doido, queriam saber quantos graus estava fazendo e não tinha termômetro. Devia tá mais de 30, então "carquei" lá no livrão: 33. Acho que acertei na mosca, porque todo mundo me abraçava bastante.
Depois todo mundo entrou pro salão onde tava as mercadorias. Tinha cuié de pedreiro, prumo, nível, esquadro, alavanca, compasso, régua, até pedra. Tinha também mesas e cadeiras que não acabava mais. Acho que algumas dessas mesas tava com o tampo solto porque os caras pegaram uns martelinhos e começaram a batê. Até a porta devia está emperrada, porque um sujeito começou a batê com o cabo de um espeto.
Depois pensei que um indivíduo lá era cego. Perguntou onde sentava fulano..., onde sentava o sicrano..., queria saber que horas eram..., coitado! Teve um espírito de porco que falou prá ele que era meio-dia em ponto. E não é que ele acreditou!
Depois outro sujeito foi perto dele e começaram a cochichar aqui e ali. Um deles reclamou de um tal de Arão que fez um estrago com óleo. Disse que derramou na cabeça, na barba e no vestido de uma tal de Dona Orla. Confirmei qie o cara era cego porque ele falou que a loja tava aberta e então olhei e vi que tava fechada. Nessa hora notei que até lá você era conhecido. Sentiram sua falta e começaram a perguntar: "e o Zé?, e o Zé?, e o Zé?".
Depois aguentei um tempão um sujeito falá umas baboseiras que não entendí nada e, até que enfim, mandaram fazer as propostas. Veio outro sujeito recolher elas com saquinho e então mandei a minha: dava cinqüenta mangos naquela corda pindurada lá em cima, toda enroscada.
Sabe? O cara tava se fazendo mesmo de cego. Ele leu a minha proposta e não disse nada. Acho que fui munheca demais. Aí inventaram que estava chovendo, que tinha goteira na loja e acabaram me pondo prá fora.
Tá certo, Zé, era justo, era perfeito. Mas se acharam pouco o valor que eu escreví, bem que podiam fazer uma contraproposta, não acha?

Não confunda liberdade com libertinagem



Teoria de botequim
O macho gasta mentira a torto e a direito, principalmente quando não precisa. Mente muito. E mal. É nosso defeito de fabricação: alô Procon, recall de homem já! Mulher não mente, ilude, como um David Cooperfield. Mulher tem a manha da narrativa e da verossimilhança, mesmo quando baixa um Dorian Gray, e ela tenta driblar o tempo e o calendário. Falar nisso, uma velha advertência: nunca confie em uma mulher que não mente a idade. Uma fêmea que não faz isso é capaz de coisas muito piores, é capaz de tudo. Cuidado. Minto, logo posso ser amado. Vejo um certo prazer sádico nos detectores femininos. Elas adoram nos flagrar no meio do ciclone de contradições e incoerências. Nada mais insuportável do que um homem que não mente. O homem sincero é sempre o pior canalha. O homem dito sincero e virtuoso, do tipo que tem ONG para ajudar os sem-alguma-coisa, do tipo que faz trabalho voluntário, é o mais vagabundo dos canalhas. Até sua virtude prevarica, como dizia o maníaco da Tijuca. O amor não sobrevive em um ambiente sem mentiras. A sinceridade extremada, esse fundamentalismo dos pobres de espírito, torna a vida insuportável, autoritária, sem fantasias. As pequenas mentiras dão graça ao lar-doce-lar. Se eu tivesse um caminhão, escreveria no pára-choque: uma mentira a mais é um desgosto a menos. Como são arrogantes os que dizem dizer somente a verdade, essa impostura cristã de terceira categoria. Quem tiver suas verdades que me poupe delas. Que mintam e me agradem, que mintam e me bajulem, que mintam e divirtam a humanidade. Responda rápido: você prefere ouvir um "você é a mulher mais gostosa deste mundo" (mesmo ciente do exagero retórico do camarada) ou um sincero "não é por nada não, meu amorzinho, mas sua bunda está muito caída"? De verdade basta a lei da gravidade. E tem mais um grafite de saideira: não compre jornal, minta você mesmo!

Google


Chove. Entro no Google e procuro a verdade. O resultado: 1.660.000 páginas encontradas em 0,15 segundos. Em seguida, procuro a mentira. 412.000 páginas, em 0,26 segundos. Concluo que há mais verdade que mentira na internet, embora cada mentira demore muito mais para se revelar que uma verdade. Com essa certeza em mente, procuro a felicidade; 446.000 resultados demoram 0,25 segundos para aparecer. A tristeza, não só é maior em volume, 538.000 ocorrências, como vem mais depressa, 0,15 segundos. Triste, mas ainda esperançoso, continuo minha busca e descubro que a paz (5.530.000 resultados, em 0,12 segundos) perde feio para a guerra (7.680.000 páginas, em 0,15 segundos) e ainda dura menos... Talvez isso aconteça porque o perdão (110.000 páginas, 0,15 segundos) não signifique nem um décimo do ataque (1.420.000 vezes, em 0,24 segundos). Embora o ódio, com 535.000 páginas em 0,19 segundos, se revele muito menos que o amor, com 8.900.000 páginas em 0,26 segundos, o bem (4.800.000 ocorrências, 0,15 segundos) se manifesta muito menos que o mal (11.600.000 ocorrências, 0,29 segundos). Finalmente, procurei por soluções, mas houve queda de energia, um raio, o estrondo de um trovão e eu perdi a conexão com o oráculo."

Não quero crescer


"quando eu tiver setenta anos então vai acabar esta minha adolescência vou largar da vida louca e terminar minha livre docência vou fazer o que meu pai quer começar a vida com passo perfeito vou fazer o que minha mãe deseja aproveitar as oportunidades de virar um pilar da sociedade e terminar meu curso de direito então ver tudo em sã consciência quando acabar esta adolescência"

O que penso sobre Paulo Freire

Vão querer me matar, mas é o que penso.Acho que precisamos tirar Paulo Freire do altar. Nosso grande educador fez a cabeça de gerações de professores, digo, educadores, transmitiu esperança e ternura a milhões de líderes comunitários, teólogos progressistas, intelectuais, pensadores, questionou as formas de transmissão do conhecimento, as relações em sala de aula, colocou o amor, o reconhecimento do outro, mas... Mas o homem vem sendo cada vez mais colocado num altar, com água benta do lado e caminha para a condição de santo. Reverenciamos Paulo Freire todos os dias. Da reverência, estamos passando para o endeusamento. Há congressos, livros, seminários. As práticas em sala de aula são questionadas a cada segundo. O aluno, perdão, o educando, foi ganhando importância, mas tanta importância, que está acontecendo um fenômeno social incrível – hoje, o professor é quase um coadjuvante em sala de aula. A impressão que tenho, hoje, é que o aluno olha para o professor, e tem vontade de dizer:“Professor, o senhor está atrapalhando a aula”. Venho pensando sobre isso há algum tempo, matutando devagarzinho, porque no Brasil, temos algumas pessoas que são colocadas no altar, viram mitos, intocáveis, e ai de nós, reles mortais, do pensamento mediano nacional, se ousarmos fazer alguma crítica. Fenômenos inversos também ocorrem. Nelson Rodrigues, o reacionário dos anos de chumbo, é cada vez mais visto como revolucionário, um homem capaz de falar das coisas mais sombrias da alma, sem concessões. Quem vai se aventurar a falar mal do Nelson Rodrigues, hoje? Isso era moda nos anos 60 e 70. Duas coisas me chamaram a atenção, nos últimos tempos. Primeiro, virou quase politicamente incorreto, beirando à ofensa, o sujeito ser chamado de “professor” (aquele que ensina uma ciência, arte, técnica; mestre, segundo o Aurélio). Agora, para quem ainda não sabe, o certo mesmo é “educador”. Eu, que trabalho com as palavras, seja lendo, ensinando, escrevendo, acho a palavra “professor” linda. Basta eu falar dela, que lembro meus bons professores do passado, aqueles que me ajudaram a ser quem sou e o que sou. Não lembro de nenhum deles como educadores. Eram sim, meus professores. Quando você bota o politicamente correto na palavra "professor", tão cheia de significados, está tirando toda a sua força. Depois, tenho visto coisas terríveis acontecendo pelas escolas do Amapá e adjacências. O professor só falta pedir perdão para fazer uma chamada. De tirano, de inquestionável, de dono do saber, de capataz, em outros tempos, se tornou quase um intruso em sala de aula. Por outro lado, o aluno foi mudando de lugar. Do que obedecia tudo, do que temia a figura do professor se aproximar, que aceitava o que chegava de conhecimento como algo dado, fechado, inquestionável, que não podia refletir criticamente, o aluno virou quase o senhor da sala de aula. Isso acontece na escola pública e nas escolas mais caras do Amapá, como o Seama.Há 15 dias, encontrei uma amiga, professora de mão cheia, conhecedora dos percursos, teias e paixões da literatura, da escrita, uma figura sensível e atenciosa, com um blog delicioso aqui na Internet. Nosso encontro, em meio ao lançamento de um livro, um dia festivo, teve uma nota intrigante. Ela tinha pedido demissão de um colégio católico de classe média, o Santa Bartolomea, onde a mensalidade é uma pancada no bolso dessa gente, que se vira como pode para tentar dar uma boa educação aos filhos. Se preocupa tanto em pagar uma escola cara e boa, que esquece de dizer que ele deve respeitar o professor.Minha amiga não agüentou sequer um ano na escola. Ficou chocada com a falta de respeito, a obsessão pelo celular, os fones de ouvido literalmente dentro do cérebro, a balbúrdia. Tentou criar estratégias, mudar formatos, abriu caminhos, diálogos, mas nada. Exausta, abatida, sem entender o que faz um bando de jovens do 1º ano do Ensino Fundamental sair de casa para exercitar a criatividade jogando coisinhas em seus celulares, ela jogou a toalha. Pediu demissão. Estava aliviada, mas triste.Queria muito ensinar coisas mágicas do mundo da Literatura, mas não deu. A sorte é que ela tem turmas particulares de Literatura, então acontece uma coisa engraçada: a classe média paga mais uns trocados, para os filhos que querem mesmo ir para um lugar com o objetivo específico de estudar, já que a sala de aula comum está parecendo um samba do crioulo doido. Sempre li Paulo Freire com os olhos mais humanos. Antes de morrer, ela já era um mito. Disse e escreveu coisas linda, importantes, fundamentais, que tenho comigo como referência para meu trabalho como professor de Educação Especial, mas tenho críticas, discordo de algumas coisas, acho que tudo que ele disse e escreveu tem sido levado ao pé da letra. Eu, se fosse ele, estaria incomodado.O professor tem pensado tanto no aluno, que tem esquecido da sua importância. Os valores estão todos virados pelo avesso. O celular novo é mais importante que um poema do Fernando Pessoa. O pêndulo mudou de lado. O aluno vem perdendo sistematicamente os referenciais de respeito, de atenção, cuidado. A sala de aula vem deixando de ser, há algum tempo, um espaço sagrado para a transmissão do conhecimento, para a reflexão, desenvolvimento das potencialidades e visão de mundo. Pauta que Pariu, agora estou ferrado mesmo: usei a frase “transmitir conhecimento”. Ninguém transmite conhecimento, nós vamos para a sala de aula para aprender com os educandos, aquela coisa. Modestamente, acho que um sujeito que passou a vida lendo, anotando, pesquisando, planejando suas aulas, pensando na melhor maneira de passar para seus alunos, está transmitindo conhecimento sim. Outro dia, perguntei aos meus alunos quem sabia o que era uma metáfora. Dos 19 em sala, apenas um sabia, e de forma improvisada, porque não conseguia explicar direito aos colegas. Então, começamos uma nova jornada, em busca de metáforas. Levei livros, poetas, escritores, lemos juntos metáforas, até que ela virou nossa amiga.Sou professor. Adoro este ofício, fico emocionado quando um jovem aluno vem me mostrar um poeminha simples, início da grande aventura pessoal. Ontem, uma aluna me contou que passou a tarde inteira lendo um romance, e esqueceu do tempo. Outro dia, ela disse que não gostava de ler. Conversamos, rimos, trocamos idéias, mas não tenho o menor pudor de parar uma aula e dar um carão, quando a coisa desanda. Fica aquele silêncio, mas sinto que é um silêncio de respeito, um freio nesta grande esculhambação que este país tem se transformando, porque tudo é culpa do outro. Tem alguém, ali, um professor, que por um momento diz um "não" bem dito. Depois do silêncio, eu digo: “Vamos continuar?”E sigo a aula. Não sei se Paulo Freire acharia isso opressor ou não, mas isso não me incomoda. Não coloquei o velho mestre num altar, e também não quero ser santo. Quero ser apenas um bom professor.

Poderiamos ter mudado o Brasil

http://www.youtube.com/watch?v=O43II_C0jVY

Para os leigos que não conheceram o plano Collor e souberam da solução que o mesmo traria para o Brasil.
Que os que criticam o presidente Collor hoje q peguem suas palavras e as engulam,
Perdemos a chance de mudar o Brasil em 90.
O Plano Collor é o nome dado ao conjunto de reformas econômicas e planos para estabilização da inflação criados durante a presidência de Fernando Collor de Mello (1990-1992), sendo o plano extendido até 31 de julho de 1993. O plano era oficialmente chamado Plano Brasil Novo, mas ele se tornou associado fortemente a figura de Collor, e "Plano Collor" se tornou nome de facto.
O plano Collor combinava liberação fiscal e financeira com medidas radicais para estabilização da inflação.[1] As principais medidas de estabilização da inflação foram acompanhadas de programas de reforma de comércio externo, a Política Industrial e de Comércio Exterior, mais conhecida como PICE, e um programa de privatização intitulado Programa Nacional de Desestatização,mais conhecido como PND.
A teoria do plano econômico foi desenvolvida pelos economistas Antônio Kandir, Álvaro Zini e Fábio Giambiagi[1]. O plano efetivamente implementado foi desenvolvido pelos economistas Zélia Cardoso de Mello, Antônio Kandir, Ibrahim Eris, Venilton Tadini, Luís Otávio da Motta Veiga, Eduardo Teixeira e João Maia.[2]

Minha Advogada particular, Futura membro do TRE-AP


Estudante de DireitoEstudante de Direito não copia: compara compilações

Estudante de Direito não fala: defende idéias

Estudante de Direito não tem professor: tem mestre na matéria

Estudante de Direito não dorme: se concentra

Estudante de Direito não faz sexo: pratica conjunção carnal

Estudante de Direito não se distrai: analisa a relação entre as moscas

Estudante de Direito não falta na faculdade: é solicitado em outroslugares

Estudante de Direito não faz putaria: pratica ato libidinoso

Estudante de Direito não cola: tem código comentado por ele próprio

Estudante de Direito não diz besteiras: defende uma outra corrente

Estudante de Direito não fica lendo e-mail no serviço: pesquisajurisprudência

Estudante de Direito não lê revistas na sala de aula: se informa sobreacontecimentos da sociedade

Estudante de Direito não fica bêbado no bar da faculdade: ele se socializacom a comunidade...

Mesmo assim ainda émeu presidente.


A TEORIA DA RELATIVIDADE
Luciano Pires http://www.lucianopires.com.br/

Um dos filmes que mais causaram impacto em minha vida foi "Em algum lugar do passado", com Christopher Reeve, uma história de amor lindíssima, em que um escritor apaixona-se pela foto de uma atriz dos anos vinte. Uma paixão tão avassaladora que ele acha uma forma de voltar ao passado para encontrar a moça e viver uma história de amor emocionante. O filme é lindo, a trilha sonora é fabulosa e o tema, instigante: viajar no tempo. Quando Albert Einstein anunciou a sua Teoria da Relatividade, em 1905, viajar no tempo - pelo menos em teoria - deixou de ser algo impossível. Pois outro dia observei uma foto de um grupo de amigos na reunião de comemoração de 30 anos de minha formatura no colégio. Olhei aqueles senhores de cabelos brancos, gordos e carecas e imaginei o que aconteceria se a foto pudesse ser vista por eles quando tinham 16 anos. Já pensou? Você poder ir até o futuro e olhar onde estará, que rumo sua vida tomou?
Imaginei então uma situação interessante. Alguém inventa uma máquina do tempo. E vai testar. Escolhe uma data aleatória - 1989, por exemplo - e aperta um botão. A máquina traz para o presente ninguém menos que Luis Inácio Lula da Silva. Aquele de vinte anos atrás. Lula chega meio zonzo:
- O que é isso, companheiro?
Sem entender o que acontece, Lula é recebido com carinho, toma uma água, senta-se num sofá e recupera o fôlego.
- Onde eu tô?
- No futuro, Presidente. Colocamos em prática a Teoria da Relatividade!
- Futuro? Logo agora que vou ganhar do Collor, pô! Me manda de volta pro passado! Zé Dirceu! Zé? Cadê o Zé?
- Calma, Lula. Aproveite para dar uma olhada no seu futuro. Você é o presidente da República!
- Eu ganhei?
- Não daquela vez. Mas ganhou em 2002. E foi reeleito em 2006!
- Reeleito? Eu? Deixa eu ver, deixa eu ver!!!
E então Lula senta-se diante de um televisor de plasma. Maravilhado, assiste a um documentário sobre os últimos 20 anos do Brasil. Um sorriso escapa quando a eleição de 2002 é apresentada.
- Pô, fiquei bonito! Ué. Aquela ali abraçada comigo não é a Marta Suplicy?
- Não, Presidente, é a Marisa Letícia.
- Olha! Eu e o Papa! E aquele ali, quem é?
- É George Bush, o Presidente dos Estados Unidos!
- Arriégua! Êpa! Mas aquele ali abraçado comigo não é o Sarney? Com a Roseana? E o que é que o Collor tá fazendo abraçado comigo? O que é isso? Tá de sacanagem?
- Não, presidente. Esse é o futuro!
- AAAAhhhhhh! Olha lá o Quércia me abraçando! O Jader Barbalho! Cadê o Genoíno? Cadê o Zé Dirceu?
- O senhor cortou relações com eles.
- Meus amigos? Me separei deles e fiquei amigo do Quércia?
- Pois é...
- E aqueles ali? Não são banqueiros? Com aqueles sorrisos pra mim?
- Estão agradecendo, Presidente. Os bancos nunca tiveram um resultado tão bom como em seu governo.
- Bancos? Os bancos? Você tá de sacanagem. Sacanagem!
- Calma, Presidente. O povo está gostando, reelegeram o senhor com mais de cinqüenta milhões de votos!
- Mas não pode! Cadê os proletários? Só tô vendo nego da elite ali. Olha o Vicentinho de gravata! E o Jacques Wagner também! Mas que merda é essa?
- É o futuro, Presidente.
- E o Walter Mercado? Tá fazendo o quê ali?
- Aquela é a Marta Suplicy, Presidente.
- Ah, não. Não quero! Não quero! Não quero aquele meu terninho. Não quero aquele cabelinho. Não quero aquela barbinha. Desliga isso aí!
- Mas Presidente, esse é o futuro. O senhor vai conseguir tudo aquilo que queria.
- Não e não. Essa tal de teoria da relatividade é um perigo.
- Perigo?!
- É. As amizades ficam relativas. A moral fica relativa. As convicções ficam relativas. Tudo fica relativo.
- Bem-vindo a 2009, Presidente.

Guru da auto ajuda...

Imagine-se nesta palestra. O guru estava vestido com um belo terno e uma discreta gravata. À sua frente, a platéia: mais de 4 mil executivos das principais empresas brasileiras e algumas internacionais. O guru guiava a todos com a voz típica de um hipnotizador, lenta e suave:
“Feche os seus olhos. Respire fundo. Imagine como será a sua vida no próximo ano. Agora imagine sua vida daqui a 5 anos. Como você se enxerga? Você é uma pessoa bem sucedida? Está feliz?”
Você, com o seu aguçado senso de autocrítica, permanece estático, de olhos abertos, admirando o espetáculo. Olha para os lados, vê aquela multidão de homens de negócios com os olhos fechados, reféns do guru da autoajuda, e não contém o risinho sarcástico que se desenha em seus lábios.
Quanto tempo você permaneceria nessa palestra? Eu passei dez minutos – ou menos.
O guru da autoajuda em questão era o idolatrado “Spencer Johnson, M.D.”, autor de um dos maiores best sellers corporativos de todos os tempos, Quem mexeu no meu queijo?, livreco de 100 páginas impressas em Times New Roman tamanho 17, e com a profundidade de um prato de sopa. Exemplo de um dos preciosos conselhos de Johnson, M.D., pelos quais as pessoas compram seus livros e pagam por suas palestras: “se você não mudar, você morrerá”. Céus! Isso chega a ser pior que a baboseira cósmica de O Segredo, outra pérola da auto-ajuda.
Como nos sujeitamos a esse tipo de engodo?
Sou um verdadeiro gato escaldado no assunto. Acredite em mim. Perdi a conta de quantas palestras já assisti. Nas primeiras, entrava no clima. Se o palestrante mandasse abraçar o ilustre desconhecido ao lado, eu abraçava. Se o cara falasse “levantem as mãos e gritem ‘eu sou um vencedor’”, eu obedecia, levantava os braços e repetia a ladainha. No final, ainda comprava as fitas de vídeo com a mesma palestra, para não esquecer jamais os ensinamentos aprendidos naquele dia. Não me levem a mal, eu tinha catorze anos nessa época…À medida que o tempo passa e nos aprofundamos em nossos temas de interesse, inevitavelmente, ficamos mais exigentes. Ou isso ocorre ou não estamos nos dedicando o suficiente. A palavra-chave desse processo é aprofundar. Devemos nos permitir mergulhar mais fundo nas águas do conhecimento. É como requintar o paladar. Não dá para comparar fast food com alta gastronomia.
De qualquer forma, o fato é que muita gente acredita – e investe – em livros e palestras do gênero. Se assim não o fosse, a auto-ajuda não seria um dos filões mais rentáveis da indústria livreira, nem os eventos empresariais contariam com tantos gurus como Spencer Johnson & companhia.
Enfim, gostaria de saber o que vocês acham desse assunto, como se comportam em palestras do gênero, se apreciam, acreditam – ou se sou só eu o complicado…

Sarney, o incomum
O presidente Lula tinha razão quando disse que o senador José Sarney "não podia ser tratado como se fosse uma pessoa comum".De fato, ele não é. O cidadão comum costuma ser mais digno. Trabalha duro para ganhar o pão de cada dia, paga impostos, segue as leis. E, quando não o faz, o custo é caro.De Sarney nada se exige. Continua ileso, impune, mesmo depois da série infindável de malfeitos - atos secretos, nepotismo, desvios de recursos de patrocinadores de sua fundação para empresas de sua família, e outros tantos mais.E não tem qualquer constrangimento em pregar "transparência, moralidade, eficiência e trabalho", procedimentos éticos que, segundo ele, devem nortear a conduta do Parlamento. Deveriam mesmo.Mas Sarney está a anos luz de distância desses princípios, que, se são caros para a maioria das pessoas comuns, parecem de nada valer para o presidente do Congresso Nacional e boa parte de seus pares.Salvo pela comoção provocada pela presença vigorosa do vice-presidente da República José Alencar, Sarney não teve holofotes na abertura do ano legislativo de 2010, na última terça-feira.Pouco ou quase nada se cobrou de seu discurso - uma peça de ficção de terceira categoria, motivo de vergonha adicional para a Academia Brasileira de Letras, que se desmerece a cada dia em tê-lo entre seus imortais.No pronunciamento, Sarney mais uma vez zombou de todos nós.Teve o desplante de repetir parte do discurso que fizera em 1995, quando pela primeira vez abriu um ano legislativo: "Assumi o cargo de presidente não em um momento de glória, mas numa fase em que a instituição atravessa profunda crise de identidade, exposta a permanente crítica e censura."Ora, de lá para cá foram 15 anos em que Sarney contribuiu decisivamente para espalhar a lama em que o Parlamento chafurda dia pós dia.Em outro trecho, Sarney lembra com alguma nostalgia do tempo em que os parlamentos tinham um "charme romântico" e eram "tocados pela palavra, pelo delírio e pelo encantamento dos belos discursos dos oradores".Acrescenta que ainda somos dominados por essa visão e que, infelizmente, a sociedade sempre vincula o Congresso ao plenário. "O Congresso é muito mais.
É fiscalização." Como se a tarefa de fiscal do Executivo desobrigasse os parlamentares de comparecer ao local de trabalho.Mais adiante golpeia duramente a democracia ao afirmar que sem Parlamento forte não há democracia forte. A frase de efeito seria só um enfeite ao discurso.Mas, na realidade brasileira, onde a Câmara dos Deputados e o Senado Federal são reféns do Executivo e nem mesmo se dão o luxo de parecerem sérios, soa ameaçadora se tomada ao pé da letra.Para justificar seus desvios de conduta, Sarney insiste em transferir à instituição problemas que são seus, e anuncia, sem qualquer lastro ou exemplo, que no mundo inteiro os parlamentos enfrentam contestação de legitimidade. (Onde mesmo? Que parlamentos estão em cheque?)Faz de conta que não sabe, assim como fez com os atos secretos em que nomeou parentes e permitiu dezenas de estripulias com o dinheiro público, que o repúdio popular não é ao Legislativo, mas a ele e a outras excelências que não se cansam de abusar da confiança daqueles que lhes outorgaram o mandato.Mais surreal ainda foi ouvir Sarney ressaltar a "identificação inseparável com a imprensa".Como se jamais tivesse cerceado o trabalho de jornalistas; como não fosse seu filho Fernando o protagonista da ação que impingiu censura prévia ao jornal O Estado de S. Paulo, derrotado na primeira instância judicial por umdesembargador do Distrito Federal que desfruta da amizade e dos favores do senador amapaense.Com aval do STF, a pendenga continua até hoje, somando quase duas centenas de dias de censura.Ao citar Carlos Castello Branco - um ícone no jornalismo brasileiro -, Sarney conseguiu os únicos aplausos, abafados pela repetição da tese avessa que expôs meses atrás durante a comemoração do Dia Internacional da Democracia, de que a mídia disputa o poder da representação popular com o Parlamento.Na época, chegou a acusar a mídia de ser "inimiga das entidades representativas". Só mesmo Sarney seria capaz de revelar tanto desprezo pela democracia e fazer tamanha chacota dela.Mas o trágico discurso solene não parou por aí. No final, como manda o figurino, fez loas ao presidente Lula e, sem cerimônia, reafirmou sua completa subserviência ao protetor maior, jogando no lixo a equidade entre os três poderes.Sarney não é mesmo uma pessoa comum. Os comuns, felizmente, são muito, mas muito melhores do que ele.-------------------------------------
Mary Zaidan é jornalista. Trabalhou nos jornais O Globo e O Estado de S. Paulo, em Brasília. Foi assessora de imprensa do governador Mario Covas em duas campanhas e ao longo de todo o seu período no Palácio dos Bandeirantes.Há cinco anos coordena o atendimento da área pública da agência 'Lu Fernandes Comunicação e Imprensa'.

Pai nosso de Arruda

O 'PAI NOSSO' DA CORRUPÇÃO
Jornal do Brasil - 08/02/2010 - Selvino Heck
Começa assim: “Pai, quero te agradecer por estarmos aqui”.
Estamos aqui e não em outro lugar, nesta sala, neste espaço de governo, Brasília. É preciso agradecer, dizer obrigado. Nem todos têm a oportunidade: capital federal, reconhecimento, boas relações e contatos, acesso livre, licitações correndo. Como não agradecer e mais agradecer?
É preciso reconhecer, na humildade: “Sabemos que nós somos falhos, somos imperfeitos”.
Não podemos tudo, sem Ti não podemos nada. Somos pequenos, nosso alcance é limitado. Afinal, temos braços, pernas, cabelos, olhos para enxergar, cabeça para pensar, mais isso não é tudo. Os bolsos são pequenos, não cabe tudo.
É preciso pensar nos que nos cercam. “Somos gratos pela vida do Durval, por ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para esta cidade, porque o Senhor contempla a questão no seu coração”.
Que seria de nós se não fôssemos amparados, se não houvesse quem se dispusesse a nos ajudar, a estar a nosso serviço! Nossas vidas e essa cidade não existem sem seus benfeitores e colaboradores, sem seus anjos bem-vindos e generosos que nos dão sacolas e pacotes, benefícios e ajutórios.
Afinal, “tantas são as investidas, Senhor, de homens malignos contra a vida dele. Nós precisamos da Tua cobertura e dessa Tua graça, da Tua sabedoria, de pessoas que tenham armas para nos ajudar nesta guerra”.
A vida não é fácil, há sempre quem queira nos prejudicar, queira nos denunciar, falar mal dos nossos atos. É preciso preservar os homens bons, os melhores dos melhores, protegê-los, garantir sua vida e integridade.
Nunca se sabe. “Todas as armas podem ser falhas, todos os planejamentos podem falhar, todas as nossas atividades, mas o Senhor nunca falha”.
Por isso, nossa fé está acima de tudo. Não há quem nos possa derrubar. Ninguém vai nos delatar, ou nos prender. O Senhor está do nosso lado, sempre, dentro e fora da cadeia.
Confiamos no Senhor. “O Senhor tem pessoas para condicionar e levar o coração para onde o Senhor quer”.
O bom caminho do Senhor nos protege, assim como nossa disposição de cuidar dos nossos bolsos e bem-estar. A ajuda do Senhor abre portas, torna consciências generosas, escancara cofres para o bem do Senhor e o nosso.
Não há o que temer. “A sentença é o Senhor quem determina, o parecer e o despacho é o Senhor que faz acontecer”.
A justiça humana poderá não estar do nosso lado. Ou estará. Mas a justiça divina vale muito mais. O Senhor está acima de tudo, do julgamento dos homens, da verdade da imprensa, da denúncia vazia.
Só falta uma coisa. “Precisamos de livramento na vida do Durval, dos seus filhos, familiares”.
Ele é nosso protetor e anjo da guarda. Ele faz o que o Senhor quer. Ele é refúgio e salva-vidas. Ele é nossa riqueza e segurança. São Durval, rogai por nós.
O abraço em oração dos deputados distritais de Brasília pedindo a bênção para a corrupção entra para a história. Nunca se viu tamanha desfaçatez. Nunca montanhas de dinheiro passearam tão livremente por bolsos, sacolas, meias, gavetas oficiais. Nunca o nome do Senhor foi usado em vão de modo tão transparente e sem pudor.
Que dizer, a não ser proclamar? “Ai de vós ricos, porque já tendes a vossa consolação. Ai de vós que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós os que agora rides, porque lamentareis e chorareis” (Lc 6, 24-25).
Quem solapa os bens do povo, quem vilipendia os mais pobres, quem debocha com os impostos dos outros, quem faz escárnio com o dinheiro de quem mais precisa, não terá consolação, nem humana, muito menos divina. Arderá no fogo da vergonha pública e do desprezo. A Justiça tarda, mas não falha.

Selvino Heck é assessor especial do gabinete do presidente da República.

O judiciario no Brasil



Aos que tiverem interesse em uma criativa descrição da justiça
criminal brasileira, segue texto de Celso Três, que aponta a atual e
extrema inversão de valores do nosso sistema. O diálogo do famoso
gângster com o presidente do STF parece ser uma ilustração
precisa...



Al Capone é 'amicus curiae' do STF
Celso Três

O cinematográfico 'gangster' Al(phonse) Capone, origem italiana, teve sua juventude no bairro pobre do Brooklym, Nova York, EUA. O 'Scarface' (rosto com cicatriz decorrente de navalhada), mudou-se para Chicago, onde, em 1925, 26 de idade, sucedeu Johnny Torrio dirigindo a máfia do álcool (contrabando, destilarias, cervejarias - vicejando na lei seca), casas de jogos, prostíbulos, clubes noturnos, extorsão, corrupção, etc. Em 1926, exercia o controle da máfia da cidade e reunia todas as quadrilhas, exceto duas: a de Aiello e a de Bugs. Capone e comparsas mataram todos os membros da Aiello e os chefes da Bugs. Calcula-se que o bando de Capone ganhou em 1927 cerca de US$ 100 milhões. Em 1929, honrado como o homem mais importante do ano, junto a personalidades do físico Albert Einstein e do líder pacifista Mahatma Gandhi. Embora notórios os atos do 'capobandito', a Justiça nunca conseguiu provar sua implicação direta nos brutais assassinatos e demais delitos.

Terminou preso por sonegação fiscal em 1931, condenado à pena máxima de 11 anos de prisão pelo Juiz Federal James H. Wilkerson. Encarcerado em Atlanta(1932), transladado à penitenciária de Alcatraz(1934).
Acometido de sífilis, concedida liberdade condicional(1939). Depois do hospital, viveu em sua mansão, Miami Beach, até a morte(1947).

'Amicus curiae' (amigo da corte) enseja que o Judiciário, ao decidir questões relevantes afetando a coletividade, em audiência pública, ouça a argumentação de 'experts' e interessados representativos da sociedade.
Pioneiro o caso do mercado de capitais, manifestação da CVM(art. 31 da Lei nº 6.385/76). No âmbito do STF, em sede das ações diretas de inconstitucionalidade, constitucionalidade e arguição de descumprimento de preceito fundamental(art. 7º, §2º, da Lei nº 9.868/99 e art. 6º, §1º, da Lei nº 9.882/99) são rumorosas, mobilizando a opinião pública(células tronco nos experimentos científicos, aborto de anencéfalos, etc. - ouvidas a comunidade científica, igrejas, etc).
Igualmente, julgados com força de fixar orientação geral à Justiça, como o atual debate sobre ações judiciais que buscam tratamento de saúde.

Expiados seus pecados, mais de meio século no purgatório, Al Capone reencarna, revivendo. Notório em todas as galáxias que o Brasil é o país da impunidade, o 'capo' aqui veio à luz.

Antes, todavia, de reeditar suas estrepolias, acautela-se inteirando-se do sistema jurídico, visitando a Suprema Corte. Lá, brandindo seu currículo, de imediato é recepcionado pelo Exmo. Min. Gilmar Mendes que, reconhecendo a 'expertise' de 'Scarface', à semelhança do banqueiro Daniel Dantas e políticos sempre envoltos em escândalos de corrupção, investe-o como 'amicus curiae' do STF.

Dialogando com o Exmo. Presidente da Corte, Al Capone submete sua biografia criminosa da vida passada à vigente jurisdição do Supremo.

Al Capone:

- fui investigado, acusado, condenado e preso por autoridades de 1º grau; devo temer o idealismo e perseverança desses agentes?

Min. Gilmar Mendes:

- jamais; no Brasil, Juiz de 1ª instância tem como única função impedir apuração, nunca dar andamento; todos os atos de investigação são subordinados à ordem judicial, a exemplo da pífia obtenção do cadastro de terminal telefônico celular usado pelo infrator;
indeferidas provas indispensáveis à investigação (interceptação telefônica, busca e apreensão domiciliar, quebra de sigilo bancário, prisão temporária, etc.), sequer previsão legal de recurso existe; o inquérito morre na origem; em contraposição, qualquer ato pode ser atacado em 4 graus(Juiz, Tribunal, STJ, e STF); conhece-se de 'habeas corpus' para obstar oitiva de testemunha, a título de produção antecipada de prova, em processo suspenso porque não citado pessoalmente o réu (art. 366 do CPP – RHC 85311/SP, Rel. Min. Eros Grau, 01.03.05, Informativo do STF nº 378); igualmente, contra processo suspenso(art. 89 da Lei 9.099/95)com a concordância do réu/impetrante(STJ, HC 35.203-SP, Rel.
Min. Laurita Vaz, julgado em 12/6/2006. - Informativo do STJ nº 288);

Al Capone:

- e qual o perfil desses Juízes que tudo reexaminam em prol da defesa?

Min. Gilmar Mendes:

- de per si, Juiz é detestável; no STF, temos apenas um originariamente concursado como Magistrado; o último, Min. Dias Toffoli, exibiu como única prova de seu notório conhecimento jurídico precisamente ter sido repetidamente reprovado em concurso à magistratura de SP;


Al Capone:

- nos EUA, sujeito condenado à morte, há décadas preso no angustiante aguardo da pena capital, a Suprema Corte rarissimamente admite julgar o mérito; e olha que lá não existe outro tribunal nacional à interpretação da lei federal, como há no Brasil, o STJ; e aqui?


Min. Gilmar Mendes:

- vigora a absoluta supremização do Judiciário, ou seja, rejulgamos tudo e a todos ao bel-prazer de nossa conveniência; até a bunda pode ser a 'vexata quaestio'; foi o caso do debruçar-se, longamente, em discutir se a exposição em público das nádegas do teatrólogo Gerald Thomas, logo após apresentação artística, constituiria ou não tipicidade de ato obsceno previsto no art. 233 do Código Penal; o processo ainda tramitava na 1ª instância, inexistente qualquer ameaça à liberdade de locomoção de Gerald, tampouco veredicto do Judiciário, o qual apenas fazia tramitar o processado.(HC nº 83996, Informativo do STF nº 357);

Al Capone:

- vocês do STF, que tudo podem, podem ser responsabilizados?

Min. Gilmar Mendes:

- jamais; somos imperadores, imunes à responsabilização; veja o meu caso; o STF certificara inexistência de foro privilegiado à ação de improbidade(ADI-2860, Rel. Min. Sepúlveda Pertence, Informativo do STF nº 401); antes de nomeado àquela Corte, ainda quando Advogado-Geral da União do Governo FHC, eu, Gilmar Mendes, sem licitação, contratei escola da qual sou sócio, o Instituto de Direito Público, para ministrar cursos aos Procuradores da União; alvo de ação de improbidade movida pelo desengonçado Procurador da República Luiz Francisco, eu, Min. Gilmar na Presidência do STF, a Suprema Corte, ao tempo em que reafirmou sua incompetência originária à ação de improbidade, disse-se competente a para julgar ('arquivar'/absolver), 'verbis':

'EMENTA: Questão de ordem. Ação civil pública. Ato de improbidade administrativa. Ministro do Supremo Tribunal Federal. Impossibilidade.
Competência da Corte para processar e julgar seus membros apenas nas infrações penais comuns.1. Compete ao Supremo Tribunal Federal julgar ação de improbidade contra seus membros.2. Arquivamento da ação quanto ao Ministro da Suprema Corte e remessa dos autos ao Juízo de 1º grau de jurisdição no tocante aos demais'(Questão de Ordem em Pet. 3.211-DF - Rel. Min. Menezes Direito, Informativo do STF nº 512).

Al Capone:

- fui condenado por sonegação fiscal; o leão, símbolo do fisco brasileiro, além de prender, devora os sonegadores?

Min. Gilmar Mendes:

- condenamos apenas quebrados e mentecaptos; os oito anos que você esteve preso seriam insuficientes à tramitação do processo e fartos em repetidas anistias; a Justiça é subalterna do Executivo, subordinada ao exaurimento da instância administrativa cujo corpo de julgadores tem representantes dos próprios sonegadores(contribuintes), pendentes mais de 40 mil processos em Brasília com provas de crime fiscal(STF, Súmula Vinculante nº 29); rotineiramente, através do Legislativo e Executivo(Leis nº 9.249/95, 9.694/00, 10.684/03, 11.345/06, 11.941/09, etc.) e a complacente exegese do Judiciário, mediante encenação de pagamento através de parcelamento jamais cumprido, tudo é extinto, arquivado;


Al Capone:

- qual seu juízo sobre sonegação fiscal; ela não surrupia do erário recursos à saúde, segurança, educação, previdência social, enfim, ao interesse público?

Min. Gilmar Mendes:

- Governo FHC – no qual militei até galgar o STF depois de, na undécima hora, abandonar o Governo Collor quando colhido pelo 'impeachment', tamanho era o açodamento em repristinar a impunidade dos sonegadores, que outorgou-se, através da Lei nº 9.249/95, art. 34, anistia a todos os delitos da Lei nº 8.137/90, incluindo corrupção do agente fiscal(art. 3º da Lei nº 8.137/90), uma vez que a norma abolitiva reportou-se à extinção '... dos crimes definidos na Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, e na Lei nº 4.729. de 14 de julho de 1965 ...' sem ressalva a qualquer deles;

Al Capone:

- vejo que no Brasil o grande 'business' é a corrupção; é isso mesmo?

Min. Gilmar Mendes:

- você não pode ser ladrão da galinha(v.g., STJ, rejeitando princípio da insignificância à tentativa do furto de R$ 30, 00 – Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, HC 137018);

Al Capone:

- e a punição? Há países, a exemplo da China, que punem a corrupção até com a pena de morte;


Min. Gilmar Mendes:

- aqui no Brasil, ao contrário, a corrupção é ungida com a vida eterna; temos a maior farra do foro privilegiado do mundo(além dos milhares constantes da Constituição Federal, através das Constituições do Estados é possível outorgar foro a vereadores, defensores públicos, procuradores dos Estados, etc – STF, ADI 2587/GO, Informativo do STF nº 372); em lugar algum, do plneta vencidos dois séculos de Suprema Corte(1808, Brasil Reino Unido de Portugal), embora a rotineira delinqüência contra a "res publicae", no âmbito da jurisdição originária do STF, sequer há registro de agentes políticos que tenham sido investigados, denunciados, condenados e cumprido pena pelos seus desvios. A AMB(Associação dos Magistrados do Brasil), em 05.07.07, divulgou criteriosa pesquisa que procedeu perante os tribunais superiores, STJ e STF; desde a vigência da atual Constituição, decorridos cerca de 20 anos, nenhuma autoridade foi condenada pelo STF;

Al Capone:

- na minha biografia criminosa há brutal defecção; não perpetrei golpes financeiros; invejo Geoge Soros, em apenas um dia(16.09.1992), apostando na desvalorização da libra esterlina, lucrou US$ 1 bilhão, de quebra, quebrando o Banco da Inglaterra, bem assim levando à bancarrota o governo Jhon Major, dando a vitória aos trabalhistas(Folha de São Paulo, 06.08.06); Soros também quebrou países, a exemplo da Tailândia e Malásia; seu fundo, o 'Soros Fund Management', titula US$ 20 bilhões(Folha de São Paulo, 11.09.08); agora, Bernard Madoff, investidor do dinheiro alheio, ex-presidente da Bolsa Nasdaq(das empresas de alta tecnologia), perpetrou fraude de US$ 65 bilhões;
entre os lesados, Bancos HSBC, Santander, UBS e Royal Bank of Scotland. fundos de caridade, a exemplo do cineasta Steven Spielberg, fundos de hedge, como Fairfield Greenwich, etc.; todavia, Madoff está recluso, condenado a 150 anos de prisão(Folha de São Paulo, 16.12.08, 13.03.09 e 30.06.09);
e aqui no Brasil?

Min. Gilmar Mendes:

- minha jurisdição é infalível e instantânea; Edemar Cid Ferreira, Banco Santos, bilionários delitos contra o sistema financeiro, fraude que lesou inúmeras pessoas, condenado em 1ª instância a 21 anos de prisão:

Decreto de prisão: 12/12/2006.
HC(Habeas Corpus) no TRF/3ª: 12/12/2006.
Indeferimento da liminar no HC do TRF/3ª: 14/12/2006(Advogado Alberto Toron intimado às 20h47min).
HC nº 72873 no STJ contra o TRF/3ª: 15/12/2006(às 14h27min).
Indeferimento da liminar no HC do STJ: 19/12/2006(às 15h23min).
HC no STF contra o STJ: 26/12/2006.
Apesar do descabimento de HC no STF contra indeferimento de liminar pelo STJ(Súmula nº 691 do STF), deferida liminar pelo Vice-Presidente, Min. Gilmar Mendes: 27/12/2006.

Al Capone:

- e os crimes de sangue explícito, violência ignominiosa, hedionda, condutas que a Constituição do Brasil obriga punição severa, como são julgados?


Min. Gilmar Mendes:

- agora, véspera do natal, mercê de meu imperial poder, individualmente, revisando decisões colegiadas das demais instâncias do Judiciário(TJ/SP e STJ), libertei sujeito cujo processo veio ao STF de trenó, tamanho o volume de acusações formalizadas, 56 estupros, o famoso médico geneticista Roger Abdelmassih(HC 102.098/SP);


Al Capone:

- para um 'gangster' a suprema pena é de público ser ostentada sua derrota para a Justiça; em 26.06.09, a Folha de São Paulo, reproduzindo peça divulgada na imprensa dos EUA, estampa fotografia do bilionário Allen Stanford, implicado em delito econômico, prejuízo em torno de US$ 7 bilhões a investidores, vestuário de presidiário(macacão laranja) e algemado, sendo conduzido ao Tribunal de Houston(Texas); a fotografia retrata um preso algemado na sua "perp walk"('perpetrator walk'), algo como a "caminhada do acusado" rumo ao foro; no caso, tratando-se de um bilionário, os americanos costumam denominar esse passeio de "corporate perp walk", que é, para a alegria de fotógrafos, cinegrafistas e curiosos, a breve aparição de um executivo que acabou de ser preso antes de sua apresentação em juízo; uma tradição americana; com algemas sempre; e aqui no Brasil, corro risco disso?

Min. Gilmar Mendes:

- jamais; aqui, além da indenização que o Estado pagaria a Al Capone, seria anulado o processo contra você e processadas seriam as autoridades, consoante a Súmula Vinculante nº 11 do STF: 'só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros, justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado'.

Al Capone:

- apesar da globalização e século XXI, o contrabando continua sendo negócio relevante; qual sua sanção?

Min. Gilmar Mendes:

- com poucos 'laranjas' você está livre; descaminho de até R$ 10 mil de tributos suprimidos(imposto de importação, sobre produtos industrializados, etc.), implicando dizer, dependendo do regime aduaneiro, valor das mercadorias superior a R$ 20 mil, é insignificante/impune(HC 924434/PR, Rel. Min. Joaquim Barbosa, 19.08.08, Informativo do STF nº 516).

Cuidado

Eu


Esse sou eu,

Como a vida é boa...

A cada dia vou vibendo e apredendo o quando Deus é bom.
Até aqui o senhor tem me ajudado.

Para Anna Gabriela.


Lisa simpson, como eu gosto dessa mocinha, hoje quando penso na Lisa penso na Anna, lá em São Paulo... Bate uma saudade de falar com ela.

Isso é DeMolay