sábado, 27 de fevereiro de 2010

Por Arnaldo Jabor


Está rolando na internet um texto ridículo sobre "mulheres" atribuído a mim. Sou uma besta, todos o sabem; mas não chego a esse relincho lamentável do asno que o escreveu. Diz coisas como: "A mulher tem um cheirinho gostoso, elas sempre encontram um lugarzinho em nosso ombro..." Uma bosta, atribuída a mim. Toda hora um idiota me copia e joga na rede. Por isso, vou falar um pouco de mulher, eu que mal as entendo na vida. Não falarei das coxas e seios e bumbuns... Falo de uma aura mais fluida que as percorre. Gosto do olhar de onça, parado, quando queremos seduzi-las, mesmo sinceramente, pois elas sabem que a sinceridade é volúvel, não perdura. Um sorriso de descrédito lhes baila na boca quando lhe fazemos galanteios, mas acreditam assim mesmo, porque elas querem ser amadas, muito mais que desejadas. Elas estão sempre fora da vida social, mesmo quando estão dentro. Podem ser as maiores executivas, mas seu corpo lateja sob o tailleur e lá dentro os órgãos estranham a estatística e o negócio. Elas querem ser vestidas pelo amor. O amor para elas é um lugar onde se sentem seguras, protegidas. O termômetro das mulheres é: "Estou sendo amada ou não? Esse bocejo, seu rosto entediado... será que ele me ama ainda?" A mulher não acredita em nosso amor. Quando tem certeza dele, pára de nos amar. A mulher precisa do homem impalpável, impossível. As mulheres têm uma queda pelo canalha. O canalha é mais amado que o bonzinho. Ela sofre com o canalha, mas isso a justifica e engrandece, pois ela tem uma missão amorosa: quer que o homem a entenda, mas isso está fora de nosso alcance. A mulher pensa por metáforas. O homem, por metonímias. Entenderam? Claro que não. Digo melhor, a mulher compõe quadros mentais que se montam em um conjunto simbólico sem fim, como a arte. O homem quer princípio, meio e fim. Não estou falando da mulher sociológica, nem contemporânea, nem política. Falo de um sétimo órgão que todas têm, de um ¿ponto g¿ da alma. Mulher não tem critério; pode amar a vida toda um vagabundo que não merece ou deixar de amar instantaneamente um sujeito devoto. Nada mais terrível que a mulher que cessa de te amar. Você vira um corpo sem órgãos, você vira também uma mulher abandonada. Toda mulher é "Bovary"... e para serem amadas, instilam medo no coração do homem... Carinhosas, mas com perigo no ar. A carinhosa total entedia os machos... ficam claustrofóbicos. O homem só ama profundamente no ciúme. Só o corno conhece o verdadeiro amor. Mas, curioso, a mulher nunca é corna, mesmo abandonada, humilhada, não é corna. O homem corneado, carente, é feio de ver. A mulher enganada ganha ares de heroína, quase uma santidade. É uma fúria de Deus, é uma vingadora, é até suicida. Mas nunca corna. O homem corno é um palhaço. Ninguém tem pena do corno. O ridículo do corno é que ele achava que a possuía. A mulher sabe que não tem nada, ela sabe que é um processo de manutenção permanente. O homem só vira homem quando é corneado. A mulher não vira nada nunca. Nem nunca é corneada... pois está sempre se sentindo assim... Como no homossexualismo: a lésbica não é veado. A mulher é poesia. O homem é prosa. Isso não quer dizer que mulher seja do bem e o homem, do mal. Não. Muita vez, seus abismos são venenosos, seu mistério nos mata. A mulher quer ser possuída, mas não só no sexo, tipo ¿me come todinha¿. Falam isso no motel, para nos animar. O homem é pornográfico; a mulher é amorosa. A pornografia é só para homens. A mulher quer ser possuída em sua abstração, em sua geografia mutante, a mulher quer ser descoberta pelo homem para ela se conhecer. Ela é uma paisagem que quer ser decifrada pelas mãos e bocas dos exploradores. Ela não sabe quem é. Mas elas também não querem ser opacas, obscuras. Querem descobrir a beleza que cabe a nós revelar-lhes. As mulheres não sabem o que querem; o homem acha que sabe. O masculino é certo; o feminino é insolúvel. O homem é espiritual e a mulher é corporal. A mulher é metafísica; homem é engenharia. A mulher deseja o impossível; desejar o impossível é sua grande beleza. Ela vive buscando atingir a plenitude e essa luta contra o vazio justifica sua missão de entrega. Mesmo que essa "plenitude" seja um living bem decorado ou o perfeito funcionamento do lar. O amor exige coragem. E o homem... é mais covarde. O homem, quando conquista, acha que não tem mais de se esforçar e aí, dança... A mulher é muito mais exilada das certezas da vida que o homem. Ela é mais profunda que nós. Ela vive mais desamparada e, no entanto, mais segura. A vida e a morte saem de seu ventre. Ela faz parte do grande mistério que nós vemos de fora, com o pauzinho inerme. Ela tem algo de essencial, tem algo a ver com as galáxias. Nós somos um apêndice. Hoje em dia, as mulheres foram expulsas de seus ninhos de procriação, de sua sexualidade passiva, expectante, e jogadas na obrigação do sexo ativo e masculino. A supergostosa é homem. É um travesti ao contrário. Alguns dizem que os homens erigiram seus poderes e instituições apenas para contrariar os poderes originais bem superiores da mulher As mulheres sofrem mais com o mal do mundo. Carregam o fardo da dor histórica e social, por serem mais sensíveis e mais fracas. Os homens, por serem fálicos, escamoteiam a depressão e a consciência da morte com obsessões bélicas, financeiras ou políticas. As mulheres agüentam firmes a dor incompreendida. O mundo está tão indeterminado que está ficando feminino, como uma mulher perdida: nunca está onde pensa estar. O mundo determinista se fracionou globalmente, como a mulher. Mas não é o mundo delicado, romântico e fértil da mulher; é um mundo feminino comandado por homens boçais. Talvez seja melhor dizer um mundo-travesti. O mundo hoje é travesti.




"O importante não é inventar. É ser inventado, a cada dia, e nunca estar pronta nossa edição melhorada"... CDA O humano, em nós, é diverso. Somos capazes de supremas violências e, no entanto, somos todo fragilidades. Incertos do nosso poder, de nossa capacidade de sobreviver, do que podemos tecer com as próprias mãos. E ficamos, sempre, dependentes do referencial externo, do outro que nos alimente e diga que somos sim, aceitáveis. Estranho isto, porque temos um vasto poder dentro de nós. Podemos criar as mais loucas, intensas e plenas histórias de amor. Porque somos capazes de vencer tudo por um grande sentimento. Sabemos que podemos. E , no entanto, nos deixamos desmontar como incapazes, à primeira ameaça de partida, como se fosse o outro e não nós próprios que tivessémos criado a imensidão do que sentimos, para doar àquele outro que achamos que merece toda imensidão do que criamos para doar. E nos desfazemos em medos, incertezas, fragilidades, como se a vida fosse breve e fossémos apenas um hiato. Claro que, quanto maior o ato de ambição que sonhamos, maior a dor da perda, o desfazer dos projetos inconclusos e, por vezes, o temor do reinicio, da tola ilusão, própria do amor , de que ninguém representará a mesma imensidão, do que o que foi perdido. Temor, talvez, que deva ser não da existência de alguém, mas da capacidade própria de conseguir se doar outra vez, sem defesas, em tal escala; de certas emoções inaugurais, todas entregues a alguém e que não poderão ser repetidas; do mimetismo ( muito na mulher) que fazemos do amado (a), assumindo cada vez mais, em si mesmo, o "ser" do outro e que, em determinado momento, faz parecer que não existe mais a separação dos corpos e alma. E, no entanto, apesar de sabermos que todo dia nos inauguramos únicos, esquecemos que somos capazes de nos dar para amanhã a nossa maior " edição melhorada".




aqui é diferente?!? "meio rude, aquele que sabe tratar a mulher sem muitos mimos, que gosta de malhar. é bom parecer meio cafajeste, fazer um teatrinho. não suporto os muito sensíveis, que choram e querem agradar o tempo todo", diz diz samantha miranda, 23 anos. os "bonzinhos" estão totalmente descartados. é o que revela duas pesquisas feitas nos estados unidos - uma da universidade do novo méxico e outra da universidade bradley - e publicadas na revista new scientist em junho concluem: homens que adotam comportamento de "garoto mau" se dão melhor com as mulheres. na universidade do novo méxico, o pesquisador peter jonason ouviu 200 estudantes e o resultado é que os jovens com características de bad boys relataram maior número de relacionamentos de curto prazo. as marcas do estilo são insensibilidade, narcisismo, egocentrismo, atração por situações de risco e infidelidade. o outro trabalho, feito pelo cientista david schmitt, da universidade bradley, em Illinois, é mais amplo. ouviu 35 mil pessoas de ambos os sexos em 57 países - e teve resultado semelhante. no brasil, há controvérsias. num grupo de 22 mulheres entrevistadas por uma revista semanal, apenas sete concordaram com os resultados da pesquisa. "aqui é diferente", opina a advogada mineira mariana lima, 31 anos. "busco uma relação em que haja igualdade entre os parceiros e muito carinho. adoro homens cavalheiros." a estudante de geologia carla neto, 29 anos, acredita que as mulheres gostam, sim, de homem que tenha um jeito grosseirão. "acontece que poucas vão admitir isso", alerta ela. "os homens têm de ter pegada, sim", resume natália casassola, ex-big brother. para a psicóloga e educadora sexual laura muller, é difícil comparar o comportamento das mulheres americanas e brasileiras, mas ela confirma que algumas realmente sentem esse tipo de atração. a fama de "bom de cama" pode ser a justificativa, acredita laura. "como esse homem tem mais relações, acaba, supostamente, aprendendo a lidar com as mulheres", explica. a psicóloga não vê grandes problemas nessa preferência. "só chamo atenção para uma coisa: relação na qual há dominante e dominado não é legal", avisa. "mas se tudo for uma brincadeira prazerosa para os dois, não vejo mal." fonte: revista ISTOÉ

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